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MENTIRA NAS REDES SOCIAIS E O PAPEL DE PARTE DA MÍDIA NA DESINFORMAÇÃO
Sou o professor Joelson Chaves de Queiroz, acadêmico
de Jornalismo, e é preciso dizer com clareza: a desinformação se tornou uma das
maiores ameaças à democracia brasileira.
A chamada era digital, frequentemente celebrada como
símbolo de democratização da informação, também abriu as portas para um
fenômeno perigoso: a banalização da mentira. As redes sociais deixaram de ser,
em muitos casos, espaços de debate para se tornarem verdadeiras máquinas de
manipulação. A velocidade com que conteúdos falsos circulam supera, com folga,
a capacidade de verificação da sociedade e isso não é um acidente, é estratégia.
No Brasil, esse cenário se agrava com o uso deliberado
de tecnologias como a inteligência artificial para fabricar versões distorcidas
da realidade. Não se trata apenas de erro ou desinformação espontânea, mas de
produção sistemática de engano. E há responsáveis por isso.
Setores da classe política exploram esse ambiente de
forma consciente. Ao distorcer fatos, atacar instituições e alimentar teorias
infundadas, contribuem diretamente para a corrosão do debate público. A
mentira, nesse contexto, deixa de ser exceção e passa a ser ferramenta de
poder. O resultado é uma sociedade dividida, desconfiada e cada vez mais
vulnerável à manipulação.
A mídia tradicional, que deveria funcionar como
barreira contra esse processo, nem sempre cumpre seu papel. Quando a busca por
audiência se sobrepõe ao compromisso com a verdade, o jornalismo abdica de sua
função social. Não há neutralidade possível diante da mentira: ou se combate a desinformação,
ou se torna cúmplice dela. Ao relativizar fatos ou amplificar narrativas
duvidosas, parte da imprensa contribui para o mesmo problema que deveria
combater.
Os efeitos desse cenário recaem, sobretudo, sobre a
população mais vulnerável. Sem acesso a uma educação midiática consistente,
muitos cidadãos acabam expostos a um fluxo contínuo de informações manipuladas.
Isso compromete não apenas escolhas individuais, mas o próprio funcionamento da
democracia. Uma sociedade mal informada é terreno fértil para o autoritarismo.
Diante disso, não há espaço para omissão. Combater a
desinformação exige posicionamento, responsabilidade e coragem. É urgente
fortalecer o pensamento crítico, cobrar ética dos meios de comunicação e
responsabilizar aqueles que lucram politicamente com a mentira.
A verdade precisa voltar a ser um valor inegociável. Sem ela, não há debate, não há confiança e, sobretudo, não há democracia
| PROFESSOR JOELSON CHAVES DE QUERIOZ ACADÊMICO DE JORNALISMO. |
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