O ÓDIO COMO PROJETO POLÍTICO E OS DESAFIOS DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

Professor Joelson
By -
0

 



O ÓDIO COMO PROJETO POLÍTICO E OS DESAFIOS DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

Vivemos um período histórico em que o ódio ganhou centralidade no debate público brasileiro. Trata-se de um fenômeno que não surgiu do nada. Personagens e discursos de intolerância sempre existiram na sociedade, porém, a partir de 2018, esse sentimento passou a ser organizado, instrumentalizado e normalizado como estratégia política.

O chamado “ódio na política” ganhou contornos estruturados, com o uso intensivo das redes sociais, desinformação sistemática e a atuação de grupos organizados que exploram a ingenuidade de parte da população. Nesse contexto, discursos moralistas e slogans como “Deus, pátria e família” foram apropriados de forma oportunista, não para promover valores éticos ou cristãos, mas para legitimar a violência simbólica, a intolerância e a exclusão.

É impossível ignorar o papel de falsos líderes religiosos que, em vez de seguirem os ensinamentos de Jesus Cristo baseados no amor ao próximo, na justiça e na solidariedade , optaram por caminhar no sentido oposto, usando a fé como instrumento de manipulação política e eleitoral. O resultado foi a eleição de parlamentares que se sustentam em discursos de ódio, medo e divisão social.

No campo institucional, práticas como as chamadas “emendas secretas” e “emendas PIX” tornaram-se símbolos de um modelo de gestão pública que fragiliza a transparência e favorece interesses privados. Esses mecanismos, quando utilizados de forma indevida, contribuem para o descrédito da política e para a sensação de que recursos públicos são apropriados por parlamentares e gestores que envergonham aqueles que acreditam na boa política.

A consequência direta desse processo é a fragmentação da sociedade brasileira. Em vez de reconhecermos um só povo e uma só nação, fomos empurrados para uma lógica de enfrentamento permanente. O debate racional deu lugar ao conflito, e o diálogo democrático passou a ser tratado como fraqueza. Enquanto isso, temas centrais para a população  saúde, educação, trabalho e dignidade  ficam em segundo plano.

No mundo do trabalho, essa desconexão é evidente. A defesa da escala 6x1, comprovadamente prejudicial à saúde física e mental dos trabalhadores, revela um Congresso que ignora a realidade da classe trabalhadora. Em contrapartida, propostas como a escala 5x2 surgem como alternativas mais humanas e alinhadas ao bem-estar social. Ainda assim, grande parte dos parlamentares vota contra medidas como o auxílio-gás, mas apoia aumentos de penduricalhos e privilégios, barrados apenas pela atuação firme de instituições e do ministro Flávio Dino.

Diante desse cenário, o Brasil precisa urgentemente reencontrar o caminho da paz, da harmonia e do respeito. O Congresso Nacional e o Senado, em sua maioria, não têm representado a vontade real do povo brasileiro. A democracia não se sustenta no ódio, mas no diálogo, na justiça social e na defesa dos direitos do trabalhador.

O ano de 2026 se apresenta como um momento decisivo. É hora de eleger representantes comprometidos com a democracia, com a ética, com a paz social e com a construção de um país menos desigual e mais humano. O futuro do Brasil depende da coragem de romper com projetos políticos baseados na divisão e no medo.


Joelson Chaves de Queiroz
Acadêmico de Jornalismo
Porto Velho – Rondônia

 

Postar um comentário

0Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Ok, Go it!) #days=(20)

Nosso site usa cookies para melhorar sua experiência.Ver Agora
Ok, Go it!