Vivemos um período histórico em que o ódio ganhou
centralidade no debate público brasileiro. Trata-se de um fenômeno que não
surgiu do nada. Personagens e discursos de intolerância sempre existiram na
sociedade, porém, a partir de 2018, esse sentimento passou a ser organizado,
instrumentalizado e normalizado como estratégia política.
O chamado “ódio na política” ganhou contornos
estruturados, com o uso intensivo das redes sociais, desinformação sistemática
e a atuação de grupos organizados que exploram a ingenuidade de parte da
população. Nesse contexto, discursos moralistas e slogans como “Deus, pátria e
família” foram apropriados de forma oportunista, não para promover valores
éticos ou cristãos, mas para legitimar a violência simbólica, a intolerância
e a exclusão.
É impossível ignorar o papel de falsos líderes
religiosos que, em vez de seguirem os ensinamentos de Jesus Cristo baseados no
amor ao próximo, na justiça e na solidariedade , optaram por caminhar no
sentido oposto, usando a fé como instrumento de manipulação política e
eleitoral. O resultado foi a eleição de parlamentares que se sustentam em
discursos de ódio, medo e divisão social.
No campo institucional, práticas como as chamadas
“emendas secretas” e “emendas PIX” tornaram-se símbolos de um modelo de gestão
pública que fragiliza a transparência e favorece interesses privados. Esses
mecanismos, quando utilizados de forma indevida, contribuem para o descrédito
da política e para a sensação de que recursos públicos são apropriados por
parlamentares e gestores que envergonham aqueles que acreditam na boa política.
A consequência direta desse processo é a fragmentação
da sociedade brasileira. Em vez de reconhecermos um só povo e uma só nação,
fomos empurrados para uma lógica de enfrentamento permanente. O debate racional
deu lugar ao conflito, e o diálogo democrático passou a ser tratado como
fraqueza. Enquanto isso, temas centrais para a população saúde, educação, trabalho e dignidade ficam em segundo plano.
No mundo do trabalho, essa desconexão é evidente. A
defesa da escala 6x1, comprovadamente prejudicial à saúde física e mental dos
trabalhadores, revela um Congresso que ignora a realidade da classe
trabalhadora. Em contrapartida, propostas como a escala 5x2 surgem como
alternativas mais humanas e alinhadas ao bem-estar social. Ainda assim, grande
parte dos parlamentares vota contra medidas como o auxílio-gás, mas apoia aumentos
de penduricalhos e privilégios, barrados apenas pela atuação firme de
instituições e do ministro Flávio Dino.
Diante desse cenário, o Brasil precisa urgentemente
reencontrar o caminho da paz, da harmonia e do respeito. O Congresso Nacional e
o Senado, em sua maioria, não têm representado a vontade real do povo
brasileiro. A democracia não se sustenta no ódio, mas no diálogo, na justiça
social e na defesa dos direitos do trabalhador.
O ano de 2026 se apresenta como um momento
decisivo. É hora de eleger representantes comprometidos com a democracia, com a
ética, com a paz social e com a construção de um país menos desigual e mais
humano. O futuro do Brasil depende da coragem de romper com projetos políticos
baseados na divisão e no medo.
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