O ÓDIO COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA E SEUS IMPACTOS NA DEMOCRACIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Resumo
Este artigo analisa a ascensão do ódio como
estratégia política no Brasil a partir de 2018, destacando o papel da
desinformação, da instrumentalização da fé religiosa e do enfraquecimento da
representação democrática. Com base em dados de instituições nacionais e
internacionais, discute-se como práticas institucionais pouco transparentes e decisões
legislativas desconectadas dos interesses da classe trabalhadora aprofundam a
crise de confiança nas instituições e comprometem a democracia.
Palavras-chave: Democracia; Desinformação; Ódio político;
Representação; Classe trabalhadora.
Introdução
A democracia brasileira enfrenta, nos últimos anos,
um processo de erosão marcado pela intensificação da polarização política e
pela normalização do discurso de ódio. Embora a intolerância não seja um
fenômeno novo, a partir de 2018 observa-se sua organização sistemática como
método político, amplificada pelas redes sociais e pela disseminação de
desinformação.
Segundo o Fórum Econômico Mundial (2023), a
desinformação figura entre os principais riscos globais à democracia. No
Brasil, pesquisas do ITS-Rio e da Fundação Getulio Vargas demonstram a atuação
coordenada de redes digitais voltadas à manipulação do debate público.
O uso político da fé e a
legitimação do ódio
Estudos acadêmicos (USP; UFMG) indicam que a
instrumentalização da religião no campo político passou a funcionar como
mecanismo de mobilização eleitoral, muitas vezes dissociado dos princípios
éticos do cristianismo. Dados do Datafolha (2020) confirmam o crescimento do
voto orientado por lideranças religiosas, especialmente em contextos de vulnerabilidade
social.
Esse processo contribui para a legitimação simbólica da exclusão, da intolerância e da violência política, contrariando valores democráticos fundamentais.
Crise de representação e práticas
institucionais
A adoção das emendas de relator , declaradas
inconstitucionais pelo STF em 2022, exemplifica o enfraquecimento da
transparência institucional. Relatórios do TCU e da Transparência Brasil
apontam que mecanismos como as emendas PIX mantêm riscos elevados de uso
político e clientelista do orçamento público.
Esse cenário reflete-se na confiança popular:
segundo o Latinobarómetro (2023), apenas 23% dos brasileiros confiam no
Congresso Nacional.
Trabalho, direitos sociais e
desconexão legislativa
No campo trabalhista, estudos do DIEESE demonstram
que a escala 6x1 compromete a saúde física e mental dos trabalhadores. Em
contraste, a OIT aponta que jornadas equilibradas aumentam produtividade e
qualidade de vida. Ainda assim, propostas alinhadas aos interesses da classe
trabalhadora enfrentam resistência legislativa, enquanto benefícios
corporativos avançam.
Considerações finais
A normalização do ódio como prática política
compromete o debate público e fragiliza a democracia. O fortalecimento
democrático exige transparência institucional, responsabilidade ética e
representantes comprometidos com justiça social e direitos do trabalho,
especialmente diante das eleições de 2026.
Referências (ABNT)
- FÓRUM
ECONÔMICO MUNDIAL. Global Risks Report 2023.
- BRASIL.
Supremo Tribunal Federal. ADPFs 850, 851, 854 e 1014.
- DIEESE.
Jornada de trabalho e saúde do trabalhador.
- OIT.
Working time and work-life balance.
- TRANSPARÊNCIA
BRASIL. Emendas parlamentares e controle social.
- LATINOBARÓMETRO.
Informe 2023.
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